Os gregos deixaram para a humanidade um legado único na história de todas as civilizações: o esporte. Não só diversas modalidades de competição que acabariam por tirar o sentido trágico das arenas que sacrificavam pessoas, como a noção da integração dos povos a partir das competições esportivas.
A cada quatro anos, os gregos das mais diversas cidades-Estado reuniam-se na cidade de Olímpia para a realização de várias competições esportivas. O evento era, por isso, chamado de Jogos Olímpicos ou Olimpíadas.
Os jogos funcionavam como uma celebração em honra a Zeus, o mais importante deus grego. O evento incluía provas de diversas modalidades esportivas, muitas delas ainda hoje praticadas em todo o mundo, como corridas, saltos, arremessos e lutas corporais.
Para a Grécia, os Jogos Olímpicos tinham tamanha importância que chegavam a interromper as guerras entre as cidades, num ritual conhecido por trégua sagrada. O argumento era para não prejudicar a realização das competições.
O significado ia além. Todos os atletas que participavam das competições eram considerados em toda a Grécia invioláveis como pessoa. Diferentemente de hoje, quando se distribui três categorias de medalhas - ouro, prata e bronze - o prêmio para os vencedores era uma simples coroa, feita com ramos da árvore oliveira.
Mesmo sem valor material, a coroa de louros, como era também conhecida, tinha um significado muito especial para cada atleta e, conseqüêntemente, para sua cidade, pois representava principalmente a suprema glória para a alma grega.
Apesar de certa rivalidade entre as polis, os jogos funcionavam num contexto muito mais amplo, pois representavam a unidade do Estado grego. Enquanto isso, as cidades recebiam os atletas vitoriosos com grandes festas, construindo estátuas em homenagem aos vencedores.
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A origem das Olimpíadas datam
de aproximadamente 2,5 mil anos
atrás. Pouco se sabe sobre seu começo,
envolto na aura de lenda que sempre
cerca os grandes acontecimentos
ou façanhas de seus heróis.
Existem indícios de que, durante
muito tempo, os Jogos Olímpicos
deixaram de ser disputados.
Conta-se que, no ano 884 a.C.,
algo muito grave ocorreu na região
grega de Elida: uma peste assolou
toda a área. Desesperado com o que
estava acontecendo, o rei Ífito
foi consultar a sacerdotisa Pítia.
E foi nesse ponto que a lenda novamente
se confundiu com a história.
Os deuses só fariam cessar
a peste se voltassem os Jogos Olímpicos.
Assim, os jogos retornaram e
passaram a ser realizados
regularmente, de quatro em quatro anos.
Oficialmente, porém, as provas
se contaram a partir de 776 a.C.,
quando se iniciou o registro dos
nomes dos campeões.
Quando se fala em Jogos Olímpicos,
é preciso deixar claro que as competições atuais,
com o mesmo nome e realizadas a cada quatro
anos, guardam determinadas semelhanças e
diferentes com os eventos gregos de 2.500 anos
antes.
No primeiro caso, pelo sistema grego de
divisão de tempo, o espaço no calendário entre
os jogos era de quatro anos. Este método de
contar o tempo tornou-se comum por volta
de 300 a.C. Todos os eventos eram datados a
partir de 776 a.C., o início da primeira
olimpíada conhecida.
As Olimpíadas atuais, ao contrário de antigamente,
constituem o encontro dos melhores
atletas amadores do mundo. Nenhuma outra
competição atrai tanta atenção do público como
as Olimpíadas.
Atualmente, milhares de pessoas vêem as
competições e milhões de pessoas se integram
à festa, ao assistirem-nas pela televisão.
Os Jogos Olímpicos se dividem em
Olimpíadas de Verão e Olimpíadas de Inverno.
As de Verão são realizadas em uma grande cidade
e as de inverno em uma área montanhosa,
coberta de neve.
As antigas Olimpíadas eram muito diferentes
das atuais. Claro que, entretanto, algumas
coisas ficaram. Depois das provas,
participavam de grandes festanças, com
banquetes, vinhos e presentes.
Os vencedores das competições se
transformavam em autênticos heróis e eram
conduzidos as suas cidades em carros puxados por
imponentes cavalos.
Quase sempre, os campeões das cidades-
Estado tinham regalias para o resto de suas
vidas. Isso ocorria porque os gregos
acreditavam que deviam a eles a extinção da peste
terrível, pois seus feitos acalmavam a ira dos
deuses do Olimpo. E assim foi até que as
Olimpíadas da Grécia Antiga também acabaram,
seguindo o declínio de
seu povo. Por volta do século II a.C.,
a Grécia foi anexada pela província da
Macedônia e, aos poucos, seus usos e
costumes entraram em decadência - o que
incluíam os Jogos Olímpicos.
Há registros de que os próprios imperadores,
de vez em quando, tomavam parte em
algumas provas para satisfazer sua vaidade. E,
claro, ganhavam de qualquer jeito, com
manipulações.
Um exemplo foi o imperador Nero, que entrou
para a história como louco que, certo
dia, decidiu tocar fogo em Roma só para ver o
incêndio do alto de uma torre.
Bem antes disso, ele decidiu entrar nos Jogos
Olímpicos. Competiu numa corrida de
carros puxados por dez cavalos. Um
tanto desastrado, levou um tombo no meio do
percurso e não conseguiu terminar a prova.
Mas, como era o único competidor, foi
logo proclamado campeão.
Quando as Olimpíadas entraram em
extinção, os romanos tinham um império grande
e poderoso a ponto de já dominar o mundo.
Quando eles começaram a incorporar à cultura,
as tradições que os gregos vinham perdendo,
os jogos mudaram de cenário.
Mesmo com o esforço de reavivá-los, não
duraram muito tempo. A explicação era que
os dois povos tinham idéias bem diferentes a
respeito do esporte. Para os gregos, importava a
participação de qualquer pessoa com saúde e
disposição para correr ou arremessar discos,
mesmo que não fosse uma campeã.
Na visão dos romanos, entretanto, importava
mais o espetáculo em si - quer dizer, as
competições esportivas valiam mais como uma
festa para se assistir.
A partir desse conceito, aliás, é que teve
origem o circo romano. Os romanos construíram
uma espécie de estádio fechado, onde eram
realizadas as lutas de gladiadores ou o
sacrifício de cristãos e escravos, entregues ao
apetite de leões. Apesar de toda a
crueldade, o povo se divertia
muito com isso.
Sem a vibração dos gregos, os romanos não
fizeram muito esforço para preservar a tradição
dos Jogos Olímpicos. Estes, então, foram
sumindo lentamente, até serem esquecidos.
Por volta do ano de 390 da era cristã,
finalmente, os jogos foram extintos por causa
da conversão ao cristianismo do imperador
Teodósio I, que resolveu acabar
definitivamente com todas as festas de origem pagã,
entre elas, as Olimpíadas.
Não se falou mais em Jogos Olímpicos por
séculos e séculos. Até que, no começo do
século XX, os jogos voltaram com a mesma nobreza
que uniam os gregos: confraternização entre
os povos de boa-vontade, uma celebração
da paz, do amor e da vida.